Entramos na greve com uma pauta de reivindicações séria, que parte das nossas necessidade cotidianas, discutida em assembléia e perfeitamente concretizável.
Precisamos, todos, da humildade de aprender com a História
Em 1999 e 2000, os estudantes da UNAM (Universidad Nacional Autônoma do México) "cruzaram os braços" numa greve de 10 meses, num árduo trabalho de cansar o governo. Estudantes foram presos e reprimidos. A greve, vitoriosa, mobilizou as diferentes classes da sociedade mexicana a favor dos estudantes, considerados heróis da resistência e da denúncia contra um governo opressor das classes mais pobres. Dez meses de greve para serem ouvidos - e libertarem os presos políticos (estudantes) da maior mobilização mexicana dos últimos tempos. A história se repete ou se assemelha muito em diferentes partes do mundo na contemporaneidade, em especial no tocante às formas de repressão nas sociedades democráticas (vejam a ação policial em Araraquara contra os manifestantes).
Talvez por maior consciência política e participação das massas, talvez por estarem em condições materiais piores do que as nossas hoje, os estudantes mexicanos resistiram no tempo mobilizados. E nós, quanto tempo estaríamos dispostos a nos mobilizar para cansar o governo? O quanto isso é ou deve ser prioridade nas nossas vidas?
Professores, funcionários e peculiaridades desta greve
Professores entraram na greve este ano a reboque da ocupação dos estudantes da reitoria da USP. Em Bauru, iniciaram a greve impulsionados pela mobilização estudantil. Saíram da greve com o mesmo reajuste salarial obtido desde o princípio - 3,37%. Os reitores, temendo uma grande greve devido à questão dos decretos, ofereceram de início um reajuste maior que o cogitado pela categoria inicialmente.
Então, em benefício sobretudo dos funcionários, professores reivindicaram 3,15% de reajuste mais uma parcela fixa de R$200. Peculiaridade desta greve e que poucos sabem, a questão salarial não foi o principal ponto dos professores. A briga era pela Universidade pública no Estado, e o estopim foram os decretos do Serra. Talvez esta tenha sido a razão da desmobilização da categoria docente, em sua maioria: a briga não era pelo bolso. Professores da USP aceitaram o Decreto Declaratório e voltaram às aulas. Em Bauru, professores não tiveram suas reivindicações atendidas. E voltaram às aulas devido à pressão dos professores que não estavam sensibilizados com a causa da Universidade no tocante à questão dos decretos.
Funcionários conseguiram um reajuste de cerca de R$30 por mês, para aqueles que ganham R$1000, por exemplo - lembrando que o piso salarial é de R$800.
Baderneiros não cansam, governo não dorme
Quanto aos estudantes do movimento, dois posicionamentos predominaram. Alguns acreditavam que, por mais justa e estratégica que pudesse ser a greve, o Comando de Greve perderia muito mais tempo e energia em tentar persuadir professores e estudantes do campus que não respeitam as Assembléias e furam a greve do que mobilizaria pessoas em torno do que realmente seria importante numa greve: criar estratégias de pressão, organizar atos públicos e negociar com as autoridades. Logo, a greve se faria inviável.
Outros acreditavam que, à medida que não havíamos conseguido o que queríamos de forma satisfatória, não deveríamos deixar a greve.
Na Assembléia Estudantil da última segunda, no entanto, era consenso que, com greve ou sem greve, a mobilização continuaria de outras formas.
Nosso pós-greve e convite à participação dos estudantes
E assim é: os estudantes deixaram a Assembléia já criando novas maneiras de continuar com o movimento. A capacidade de se renovar é fundamental e estamos trabalhando nisso em Bauru e em todo o Estado.
Estaremos em Araraquara amanhã (quinta, 28), para a reunião do Comando Estadual de Greve que vai se transformar, com o eventual fim das greves, no Comando Estadual de Mobilização.
Faremos um flash-mob na próxima terça-feira em Bauru.
Continuaremos atuando com as Comissões (Finanças, Comunicação, Atividades...).
É bom saber
Unicamp, Ourinhos, Rio Claro e USP São Carlos ainda estão ocupados.
A greve estudantil continua em algumas unidades da Unicamp e em alguns campi e cursos da Unesp, bem como na USP São Carlos e USP Ribeirão.