segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Integrantes do MST em debate na Unesp Bauru

Integrando a Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública, que ocorre em vários locais do país, os estudantes da Unesp Bauru promoveram um debate a respeito do acesso à universidade no dia 23 de agosto último. Para discutir o assunto, foram convidados dois membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), além do professor doutor da Unesp Bauru, Maximiliano Vicente.

Opiniões
Reportando o panorama atual do processo de globalização, Maximiliano ressalta que, há vinte anos, os jovens almejavam algo que não necessariamente passava pela universidade, diferente do que ocorre na atualidade. “Hoje, o Ensino Médio passa pelo descrédito, ao passo que a universidade não é para todos. Assim, em uma sociedade capitalista, o curso superior acaba sendo excludente”, afirma o professor.

A exclusão e a marginalização das áreas rurais no que concerne à educação podem ser explicadas pelos militantes do MST Marcio José dos Santos e Eliete Virgínia dos Santos. Os irmãos, que entraram no movimento juntamente com a família, sabem como é difícil alguém do campo ingressar na universidade pública. Marcio questiona os programas governamentais de acesso à universidade. “No campo, não há sequer uma política de erradicação do analfabetismo, por exemplo. Além disso, se não houvesse os movimentos de base, provavelmente a situação estaria bem pior”, argumenta ele.

Escola Itinerante
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 30% dos analfabetos encontram-se em ambiente rural. Para modificar o quadro, Marcio comenta que o Movimento dos Sem-Terra tem um programa de educação dentro dos assentamentos desde 1984. Um desses programas é a Escola Itinerante, que completou 10 anos em 2007. Com linha pedagógica baseada em teóricos como Paulo Freire, a Escola Itinerante não possui estrutura física, por conta da mobilidade dos militantes.

A estudante Eliete, que pretende cursar Psicologia, já participou da Escola Itinerante. “Lá o professor conhece a realidade do educando, colocando uma visão diferente da sociedade”, diz a militante. Ela relata que as escolas do MST contam com vários cursos, que inclui militância aliada a outras atividades, como o incentivo ao hábito da leitura.

O debate, que reuniu cerca de 30 pessoas, teve duração de duas horas e foi realizado na cantina principal da Unesp-Bauru.

Tatiana Aoki

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Em breve, fotos e mais informações sobre o debate ocorrido na Unesp.

3 comentários:

Luiz Augusto disse...

Avise a editora de fotografia do Greve Não É Férias que, não é porque ela está trabalhando na 94 que não deve cobrar as fotos dos seus repórteres fotográficos (no caso o Murilo Ferrari).

viviane disse...

adoro o marcio josé dos santos do mst. ele foi o grande amor da minha vida um dia....
bjsss

Anônimo disse...

as vezes as pessoas falam que as familias do mst são um bando de vagabundas...
mas ñ é ñ...
são tds familias desentes....
eles estão muitos sertos de correr atrás dos seus direitos....