sexta-feira, 1 de junho de 2007

Bauru no Ato Contra os Decretos

Cerca de 130 estudantes (entre eles, este repórter), funcionários e professores da Unesp de Bauru embarcaram para São Paulo em três ônibus que saíram do campus às 7h45 da manhã para participar do ato contra os decretos do governador José Serra (PSDB). Uma van com três participantes do movimento estudantil de Bauru partiu às 5h para participar de um Grupo de Discussão com alunos da USP e, posteriormente, do ato.

Quando chegamos à reitoria da Universidade de São Paulo, todos os alunos da Unesp puderam entrar no prédio para ver com os próprios olhos como acontece a ocupação. Antes do ato contra o decreto do governador Serra, participantes da ocupação da reitoria informaram ao maior número de estudantes possível suas considerações sobre o decreto Declaratório Número 1 (já informadas pelo Greve Não É Férias). Para eles, o tal decreto sobre os decretos é um avanço em termos de negociações, mas ainda está muito longe de ser suficiente, pois com os decretos do início do ano, toda a estrutura ainda está mantida.

O ato teve início à uma hora da tarde. Estudantes, funcionários e servidores de diversos campi da USP, Unesp, Unicamp e Fatec caminhavam rumo ao Palácio dos Bandeirantes gritando palavras de ordem e panfletando para os cidadãos que também passavam pelas ruas.

Às 14h45, quando o ato pacífico chegava à Avenida Francisco Morato, uma via muito importante para o trânsito da capital paulista, a Polícia Militar impediu que os estudantes prosseguissem até à Avenida Morumbi.

Abaixo a repressão!!!

Os gritos de “abaixo a repressão!” eram inúteis contra os enormes escudos e cassetetes da tropa de choque. Quando momentos de tensão já começavam a ocorrer entre os policiais (que lançavam spray de pimenta) e estudantes, foi dado o informe pelo carro de som de que alguns manifestantes participariam de uma comissão de negociação para resolver o impasse.

Enquanto esperavam, os participantes eram animados pelas baterias da Unicamp e da USP e pelos informes do carro de som. Como foi bastante noticiado pela grande mídia, o bloqueio dos policiais (e não a manifestação das três categorias) fez com que houvesse um enorme congestionamento na capital. Segundo o UOL, às 19h, havia 162 km de lentidão.

O número de policiais só aumentava. Por volta das 16h já havia um verdadeiro mar de PMs da tropa de choque na Avenida Morumbi.

Às 19h, após muita espera, chega o informe final: a comissão de negociação não conseguiu convencer o secretário da casa civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, para que o ato pacífico chegasse à Praça Vinícius de Moraes, em frente ao Palácio dos Bandeirantes. Mesmo assim, o professor Chico, da Adusp considerou que demos uma aula a Serra, mostrando o nosso poder de mobilização. Quanto aos números do ato, o UOL declarou que havia 10.000 pessoas; a Folha disse que só 2.000 pessoas participaram; mas na própria manifestação, os carros de som diziam que havia cerca de 5.000 pessoas presentes. Os dados da PM mostram que o carro de som estava certo.

Antes das 20h, começamos a voltar para a reitoria da USP, onde seria realizada uma plenária para decidirmos os rumos do movimento.

A Unesp de Bauru deixou alguns membros para participarem da discussão e voltou em caravana para o interior. Apesar de não termos conseguido chegar ao Palácio dos Bandeirantes, os estudantes de Bauru, em sua maioria, acreditam que fomos bem-sucedidos e soubemos nos portar bem durante todo o ato. Esperamos que a mídia mostre que a culpa pelo congestionamento foi advinda da intransigência do governador, e não da mobilização legítima e pacífica dos estudantes.

Alberto Cerri (Suzano)

5 comentários:

Turollo disse...

A gente pode avaliar esse ato como uma grande vitória. Na verdade, qdo cheguei em São Paulo ontem e vi que o Serra já havia alterado os decretos - e não apenas esclarecido, como ele diz nas entrevistas -, senti que havíamos vencido a maior parte da batalha.
Isso vai dar um ânimo nas mobilizações de luta em todo o país.

Juliane disse...

A experiência, vivenciada por parte do estudantes que estão participando das mobilizações da Unesp de Bauru, no ato do dia 31,
foi incrível!!!
Eu acredito que realmente foi o ressurgimento do movimento estudantil paulista...A cada ação, própria e observada por mim, era uma renovação das expectativas, passava a crer cada vez mais na capacidade de mudança de todos nós enquanto categoria estudantil...
Ficou apenas uma indignação, na verdade duas, mas uma é um tanto quanto óbvia, a presença da tropa de choque e a intransigência do governador serviu para acirrar o meu descontentamento em relação ao comando do Sr. José Serra...mas para mim nada foi pior, do que eu considero má fé dos jornalistas ali presentes...me questionei enquanto membro do mesmo grupo profissional...até que ponto os nossos princípios são trocados por uma linha editorial?

Gabriel Ruiz disse...

Belíssimo texto, primeiramente.
Acho que foi uma experiência e tanto pra todos vcs; e o relato, tenho ctz, foi o mais honesto possível. Deu pra visualizar como foi o ato.
grande abraço

Giovanni disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Giovanni disse...

Vale lembrar que a grande maioria dos participantes do ato que tiveram de voltar a Bauru passaram toda a sexta-feira por conta da organização da Festa Junina para arrecadar fundos para o Movimento. Por sinal, a festa, apesar da chuva e das dificuldades com o som, foi um sucesso. Deixo aqui um agradecimento a todos pela dedicação integral que resultou nessa confraternização.
Amanhã teremos mais uma reunião do Comando de Greve, que já escreveu uma carata conjunta dos três segmentos, e outra assembléia estudantil. Precisamos nos preparar para voltar do feriado com força ainda maior para a continuidade da Greve. Quarta-feira há possibilidade de uma reunião das três estaduais na USP e estaremos informando melhor sobre tal encontro durante a assembléia. Valeu!